Quarta-feira, 07 de junho de 2017
 

Justiça barra buzina na final do PE e torcedor do Salgueiro promete recorrer

O TJ-PE aceitou o pedido do Sport e proibiu a entrada de buzinas e cornetas no estádio salgueirense. A media revoltou Tarcísio da Buzina. "O Sport está apelando para tudo", reclama o torcedor


Por Emerson Rocha, Salgueiro

O Desembargador José Fernandes de Lemos, da 5ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE), acatou o pedido do Sport e na final do Campeonato Pernambucano, no dia 18, contra o Salgueiro, não será permitida a entrada de buzinas e cornetas no estádio Cornélio de Barros, no sertão do estado. Em sua decisão, o magistrado aceitou o argumento de que "o uso de objetos sonoros pelos torcedores do Salgueiro Atlético Clube são capazes de incitar à violência, atrapalhando os atletas e a comissão técnica”.

A buzina de Tarcísio está sempre apontada para o técnico adversário (Foto: Emerson Rocha)

– Ora, em que pese o torcedor ser livre para expressar seu apoio ao time, tal liberdade não pode ultrapassar os limites ao ponto de causar irritabilidade aos demais integrantes da partida, provocando violência no estádio e, por conseguinte, insegurança para todos, em detrimento de um ambiente saudável ao lazer – escreveu o desembargador.

Mesmo sem ser citado na ação, o pintor aposentado Francisco Gomes, conhecido como Tarcísio da Buzina, é o protagonista desta polêmica. Famoso por importunar os técnicos adversários com sua buzina, o torcedor símbolo do Salgueiro lamenta a decisão do TJ-PE. O salgueirense reforça que, em dez anos frequentando os jogos do time com seu equipamento, nunca se envolveu em casos de violência.

– Isso é um absurdo. Não existe um negócio desses. Se fosse para barrar, era no Brasil todo. O Sport está apelando para tudo. A buzina vai fazer dez anos, nunca teve uma violência. O juiz acusa que a buzina é de metal, mas ela é de plástico. No jogo contra o Fortaleza a buzina caiu, quebrou e eu tive que botar esparadrapo. Nunca aconteceu nada e o cara fazer o negócio desses - diz Tarcísio.

Tarcísio garante que vai recorrer da decisão do desembargador.

– Quem botou esse negócio aí não quer torcida no campo. Por isso que vou entrar com uma ação também. Se ele disse que a buzina é de metal, perigosa, eu estou com ela para mostrar a quem quera. Acho que eles querem botar só mudo e surdo para assistir ao jogo. Eles deviam botar o Sport para jogar contra o Carcará sem torcida, Já que ele tirou a buzina, poderia fazer isso aí também.

Citado na ação, o Salgueiro tem prazo de 15 dias para recorrer. Em entrevista ao GloboEsporte.com, o presidente do Carcará, José Guilherme da Luz, disse que o clube, caso venha a ser procurado por Tarcísio da Buzina, prestará todo apoio jurídico ao torcedor.

– O apoio jurídico que Tarcísio precisar para entrar com a buzina, nós vamos dar a ele. Colocaram o Salgueiro, mas a gente sabe que a intenção foi em Tarcísio. Ele é um torcedor folclórico, tradicional aqui em Salgueiro, desde a fundação do clube que ele vai com isso (buzina). Nunca foi registrado em Salgueiro nenhum incidente, nem com a torcida visitante nem com a local. É uma cidade que toda vida nunca teve violência com torcida nenhum. Já tivemos Copa do Brasil com o Flamengo, final de Pernambucano contra o Santa Cruz, decisão de terceiro lugar com o Náutico, vários jogos e nunca teve violência nenhuma. Sendo da vontade de Tarcísio, a gente vai entrar e dar o suporte jurídico para que essa decisão seja revertida - garante.

 
 

 

 
 

 

 

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